IPTSP NA MÍDIA – IPTSP avança em pesquisas para o desenvolvimento de novas vacinas contra a tuberculose
Em entrevista ao Mundo UFG, Ana Paula Kipnis falou sobre prevenção, diagnóstico e novas estratégias de vacinação contra a doença
Texto: Maria Eduarda Silva
A professora Ana Paula Kipnis, do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública (IPTSP) da Universidade Federal de Goiás (UFG), participou de entrevista no programa Mundo UFG, da TV UFG, sobre os desafios relacionados à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento da tuberculose. A docente também abordou as pesquisas desenvolvidas pela universidade para o desenvolvimento de novas vacinas contra a doença.
Segundo a docente, coordenadora da Rede Goiana de Pesquisa em Tuberculose (RGPTB/UFG), apesar das estratégias de prevenção e vacinação, a tuberculose permanece em um patamar de aproximadamente 80 mil casos por ano no Brasil, há cerca de 30 anos. A professora também chamou atenção para o aumento no número de mortes, que passou de cerca de 5 mil para 6 mil casos.
Ao falar sobre a vacinação, a docente destacou o papel da vacina BCG na proteção de crianças contra as formas mais graves da doença. “A vacinação é crucial para proteger crianças das formas mais graves de tuberculose”, afirmou. Segundo Ana Paula, entretanto, a BCG não protege contra a doença na adolescência e na fase adulta, o que reforça a necessidade de novas estratégias de imunização.
“Desde quando eu comecei a trabalhar com isso, há cerca de 26 anos atrás, tem vários laboratórios do mundo tentando desenvolver uma nova vacina que possa ser usada em adolescentes e em adultos, complementando a ação protetora da vacina BCG”, explicou.
A professora também ressaltou a necessidade de ampliar a atenção à tuberculose nos serviços de saúde e de reconhecer que a doença pode atingir diferentes grupos. “A primeira coisa é você e o profissional da área da saúde não acharem que a tuberculose está eliminada ou que a tuberculose só vai acontecer em condições precárias de vulnerabilidade social. Ela pode acontecer em qualquer situação”, destacou.
Entre os principais sintomas estão a tosse persistente, por mais de três a quatro semanas, o emagrecimento e o suor noturno. A docente orientou que a permanência de sintomas semelhantes aos de uma gripe após o tratamento deve levar à procura de um profissional de saúde para investigação da tuberculose. O diagnóstico pode envolver a análise de escarro e exame de raio X dos pulmões.
A entrevista também destacou a atuação da UFG nas pesquisas sobre a doença. A professora comentou sobre o Laboratório de Biossegurança Nível 3, no Centro Multiusuário de Pesquisa de Bioinsumos e Tecnologias em Saúde (CMBiotecs/IPTSP), estrutura que amplia as possibilidades de investigação de agentes transmitidos pelo ar.
A docente é coordenadora no Laboratório e destacou sua importância para o Estado em relação às pesquisas que poderão ser realizadas no espaço:
“Esse laboratório é de biossegurança três, ou seja, ele permite que você faça estudos com agentes que sejam transmitidos pelo ar, sem contaminação ambiental e com segurança para os pesquisadores”, explicou.
De acordo com Ana Paula Kipnis, a estrutura permitirá avançar nos estudos de uma vacina contra a tuberculose com participação da UFG. “Nós temos trabalhado no desenvolvimento de uma vacina para tuberculose. E agora nós vamos ter como testar essa vacina de tuberculose no modelo de desafio”, afirmou.
A nova estrutura possibilitará a realização de testes em modelo animal por meio da infecção pela via aérea, procedimento que exige esse nível de biossegurança. “A gente já fez isso de várias maneiras, mas nunca infectando o animal pela via aérea, ou seja, ele respirando o bacilo, que só poderia ser feito num ambiente que a gente chama de biossegurança três e agora vai ser possível fazer em Goiás”, destacou.
Ana Paula também mencionou que três vacinas contra a tuberculose já estão em fase clínica. A docente relatou ainda sua participação, prevista para novembro, em um encontro no Rio de Janeiro voltado ao estabelecimento de metas para aplicação e avaliação de uma nova vacina no Brasil, etapa relacionada ao processo de aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
A participação da professora Ana Paula Kipnis no Mundo UFG contribuiu para divulgar informações sobre a tuberculose e destacar a atuação da UFG nas pesquisas voltadas ao desenvolvimento de novas estratégias de prevenção da doença.
Não deixe de assistir a entrevista completa aqui.

*Maria Eduarda Silva é bolsista de jornalismo no projeto IPTSP Comunica e é supervisionada pela jornalista Marina Sousa.
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