IPTSP NA Mídia: Professora Marta Rovery discute projeto sobre envelhecimento populacional no podcast Pod Adufg
A professora do IPTSP falou sobre o envelhecimento, cuidados paliativos e Instituições de Longa Permanência em Goiás
Texto: Maria Eduarda Silva
A professora Marta Rovery de Souza, do Departamento de Saúde Coletiva (DSC) do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública, da Universidade Federal de Goiás (IPTSP/UFG), participou do podcast "Pod Adufg" para discutir o envelhecimento populacional no Brasil, os desafios dos cuidados paliativos e a situação das Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) em Goiás.
Logo no início da entrevista, a professora destacou que o Brasil vivencia um envelhecimento populacional em velocidade inédita, com projeção de que, até 2030, cerca de 20% da população tenha 60 anos ou mais. O processo, porém, é marcado por elevada incidência de comorbidades a partir dos 50 anos, gerando custos e dificuldades para o sistema de saúde, para as famílias e para a sociedade. A professora ressaltou que a qualidade do envelhecimento depende de políticas que considerem todo o ciclo da vida, desde o pré-natal.
“A gente só pode discutir envelhecer bem se a gente nascer bem. Não dá pra pensar no envelhecimento se a gente não olhar para os ciclos da vida desde o início.”
A docente também chamou atenção para a feminização do envelhecimento: as mulheres vivem cerca de sete anos a mais que os homens, e por acumularem sobrecarga de cuidado ao longo da vida, envelhecem em condições de saúde mais precárias.
Outro ponto importante da entrevista foi a necessidade de ressignificar o conceito de cuidados paliativos, muitas vezes atribuído a uma ideia de “não cuidado”. Marta Rovery explicou que a abordagem visa o conforto e a qualidade de vida do paciente quando a cura já não é mais possível.
“Esse é um cuidado que respeita as condições da pessoa, que traz a família para perto e devolve o protagonismo ao idoso, para que ele possa tomar decisões sobre o que quer pra si”, explica.
As Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) também foram discutidas durante a entrevista. De acordo com a professora, as instituições ainda são vistas com certo preconceito, entretanto, é necessária uma mudança de olhar em relação a elas:
“As ILPIs têm um papel importante na nossa sociedade. O envelhecimento no Brasil não é tratado como uma questão de Estado, mas como uma questão familiar e privada. Com o desafio numérico que temos, isso não é mais possível".
Pesquisa do IPTSP mapeia ILPIs e amplia formação
Para entender e transformar essa realidade, a professora Marta desenvolve, em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás, um projeto de mapeamento de ILPs. O projeto “Fim de Vida e Cuidados Paliativos na 3ª Idade" teve início com um estudo piloto em Aparecida de Goiânia e atualmente está em uma nova fase, mapeando 76 instituições em todo o estado de Goiás.
O projeto visa, além de mapear as condições estruturais e o perfil dos idosos residentes, promover uma aproximação crucial entre as ILPIs e as Unidades Básicas de Saúde (UBS).
"A unidade básica não considerava a ILPI como um domicílio que ela tivesse que visitar. A pesquisa já gerou um ganho, que é corresponsabilizar e fazer a atenção primária passar a ver a instituição que está no seu território", comentou a professora.
A pesquisa resultou em mudanças nas rotinas das instituições, e a equipe do estudo está agora costurando a oferta de formações em cuidados paliativos tanto para as ILPIs quanto para as UBS, com apoio do Ministério da Saúde.
"A universidade tem a capacidade de influenciar e ser indutora de projetos e temas. A gente tem conseguido tirar esse tema da invisibilidade. Existe muita boa vontade e falta de formação. O nosso papel não é de auditoria ou fiscalização, mas de agregar e oferecer opções para a melhoria de vida dessa população".
Não deixe de acompanhar a entrevista inteira no canal oficial do YouTube da Adufg!

*Maria Eduarda Silva é bolsista de jornalismo no projeto IPTSP Comunica e é supervisionada pela jornalista Marina Sousa.
Source: Comissão de Comunicação IPTSP
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