IPTSP/UFG inaugura primeiro laboratório de biossegurança nível 3 de Goiás
Nova estrutura fomentada com R$ 3,9 milhões por meio da Fapeg, habilita o estado a pesquisar agentes infecciosos de alta complexidade e coloca a ciência goiana em patamar de excelência internacional
Texto: Marina Sousa
Fotos: Secom UFG
O Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública da Universidade Federal de Goiás (IPTSP/UFG) inaugurou, nesta sexta-feira (26), o primeiro Laboratório Multiusuário com Ambiente Controlado de Nível de Biossegurança 3 (NB3) do Estado de Goiás. A cerimônia, realizada no auditório do IPTSP, reuniu pesquisadores, gestores universitários, representantes do poder público e das agências de fomento que tornaram possível o projeto. O descerramento da placa aconteceu no Centro Multiusuário de Pesquisa de Bioinsumos e Tecnologias em Saúde (CMBiotecs), no Campus Colemar Natal e Silva, onde o laboratório está instalado.
Durante a cerimônia, a reitora da Universidade Federal de Goiás (UFG), Sandramara Matias Chaves, destacou que o laboratório simboliza a consolidação de um projeto construído ao longo de muitos anos e reafirma o compromisso da universidade pública com a produção de conhecimento científico de excelência. "A inauguração deste laboratório representa um momento histórico para a Universidade Federal de Goiás. Trata-se de uma infraestrutura estratégica, construída graças ao esforço coletivo de pesquisadores, gestores, agências de fomento e parceiros institucionais, que reafirma o papel da universidade pública na produção de ciência de qualidade, na formação de recursos humanos altamente qualificados e na busca por soluções para os desafios da saúde pública. Este é um investimento que beneficia toda a sociedade."
Representando a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), a Subsecretária de Vigilância em Saúde Flúvia Amorim enfatizou que os desafios enfrentados durante a pandemia de Covid-19 evidenciaram a necessidade de ampliar a capacidade científica instalada no país. Segundo ela, estruturas de alta contenção biológica, como o NB3, são fundamentais para acelerar a produção de conhecimento e oferecer respostas rápidas diante do surgimento de novas doenças e de futuras emergências sanitárias. "A pandemia mostrou de forma muito clara que as decisões em saúde precisam ser baseadas em evidências científicas. O Laboratório NB3 fortalece essa capacidade em Goiás, amplia nossa parceria com a UFG e nos prepara para responder com mais rapidez e qualidade aos desafios da saúde pública. Tenho certeza de que essa estrutura será fundamental para o desenvolvimento de pesquisas que beneficiarão toda a população."
Flúvia Amorim ainda destacou que a aproximação entre a Secretaria de Estado da Saúde e a UFG amplia as possibilidades de desenvolvimento de pesquisas voltadas à vigilância epidemiológica, ao diagnóstico, à prevenção e ao enfrentamento de doenças infecciosas, contribuindo diretamente para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) no estado.
Já o secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação de Goiás, José Frederico Lyra Netto, afirmou que o NB3 representa um investimento estratégico para fortalecer a capacidade científica do estado. Segundo ele, a nova estrutura consolida uma política pública voltada à inovação, ao desenvolvimento tecnológico e à pesquisa de alto impacto, criando condições para que Goiás enfrente desafios futuros nas áreas da saúde, biotecnologia e inovação. "O Laboratório NB3 representa um investimento no futuro. A ciência é construída com planejamento e continuidade, e estruturas como esta nos preparam para enfrentar desafios que muitas vezes só aparecerão daqui a décadas. Goiás deixou de ser apenas uma referência na fronteira agrícola e também se consolida como um estado de fronteira da ciência, da tecnologia e da inovação. O Governo de Goiás seguirá apoiando iniciativas que transformem conhecimento em benefícios para toda a sociedade."
Três décadas de perseverança
Quem acompanhou de perto a trajetória do laboratório sabe que sua concretização não foi rápida. A coordenadora do NB3, professora Ana Paula Junqueira Kipnis, carrega a memória de cada etapa desse percurso. Para ela, a inauguração é também uma celebração pessoal e coletiva.
"Depois de quase 35 anos na UFG, ver este laboratório se tornar realidade é uma das maiores satisfações da minha vida. O NB3 é muito mais do que uma estrutura física: ele representa o compromisso da universidade com a ciência, a inovação e a proteção da vida. Esta conquista só foi possível graças ao trabalho e à persistência de muitas pessoas e instituições que acreditaram neste projeto durante tantos anos", disse Kipnis.
A professora destacou que a nova estrutura não apenas fortalece a capacidade científica da UFG e do estado, como amplia a resposta institucional a emergências em saúde uma lição que a pandemia de Covid-19 tornou inegável.
Ciência construída por muitas gestões
A dimensão política e institucional do projeto foi ressaltada pelo vereador de Goiânia e ex-reitor da UFG, Edward Madureira, que acompanhou parte significativa da trajetória do NB3. Para ele, a inauguração evidencia que projetos científicos de envergadura exigem continuidade muito além de um único mandato ou gestão.
"Este laboratório é a prova de que a ciência exige continuidade, perseverança e trabalho coletivo. É uma conquista construída por muitas mãos, ao longo de diferentes gestões, que hoje beneficia não apenas a UFG, mas todas as instituições de pesquisa do nosso estado. Ver esse projeto se concretizar mostra que, quando há investimento em ciência e cooperação entre as instituições, toda a sociedade é beneficiada", declarou Madureira.
O papel das fundações de apoio
O presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), Marcos Fernando Arriel, destacou que a inauguração do NB3 consolida os investimentos do Governo de Goiás em ciência, tecnologia e inovação. Para ele, a nova estrutura amplia a capacidade de pesquisa do estado e fortalece a parceria entre a Fapeg e a UFG. "O Laboratório NB3 representa um marco histórico para a pesquisa e a inovação em Goiás. Investir em estruturas como esta significa fortalecer a capacidade científica do nosso estado e criar condições para que pesquisadores desenvolvam soluções que impactem diretamente a sociedade. A Fapeg seguirá firme em sua missão de fomentar a ciência, a tecnologia e a inovação, trabalhando em parceria com as universidades e instituições de pesquisa para impulsionar o desenvolvimento de Goiás."
A ex-diretora do IPTSP e diretora executiva da Funape, Flávia Aparecida de Oliveira, trouxe ao debate um elemento frequentemente invisível em inaugurações desse porte: a importância das fundações de apoio para viabilizar projetos de alta complexidade ao longo do tempo. Segundo ela, o NB3 é também a prova de que essas instituições são peças indispensáveis no ecossistema da ciência brasileira.
"Este laboratório representa a realização de um sonho construído ao longo de mais de 20 anos. É resultado da continuidade institucional, da dedicação de inúmeras pessoas e da parceria entre universidade, agências de fomento e fundações de apoio. Hoje entregamos à sociedade uma estrutura de padrão internacional, preparada para impulsionar a ciência, a inovação e o desenvolvimento de pesquisas que terão impacto direto na saúde da população", afirmou Oliveira.
O desafio que começa agora
Se a inauguração marca o fim de uma longa espera, ela também sinaliza o início de uma nova fase. O diretor do IPTSP, professor Yves Mauro Fernandes, foi preciso ao nomear os próximos passos: garantir o pleno funcionamento do laboratório, ampliar parcerias e consolidar o NB3 como centro de referência em pesquisas de alta complexidade, não apenas para Goiás, mas para o país.
"Recebemos este laboratório como um legado construído por muitas pessoas ao longo de vários anos. Agora, nosso compromisso é garantir seu pleno funcionamento, ampliar parcerias, captar novos recursos e fazer com que essa estrutura produza conhecimento capaz de gerar benefícios concretos para a sociedade. O NB3 fortalece o IPTSP e consolida a UFG como referência em pesquisa científica de alta complexidade", concluiu Fernandes.










Fonte: Comissão de Comunicação do IPTSP
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