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IPTSP NA MÍDIA - Professor do IPTSP esclarece dúvidas sobre a vacina da dengue no programa Mundo UFG

Em 17/06/26 10:34. Atualizada em 17/06/26 10:35.

O professor Ton Sales, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Medicina Tropical (PPGMTSP), participou do programa da TV UFG 

Texto: Maria Eduarda Silva 

No início do mês de junho, o Ministério da Saúde suspendeu, temporariamente, a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida no Instituto Butantan, após registros de eventos adversos graves. O professor Helioswilton Sales de Campos, doutor em Imunologia, do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública (IPTSP), da Universidade Federal de Goiás (UFG), foi convidado ao programa Mundo UFG, da TV UFG, para esclarecer dúvidas sobre a medida e sobre vacinas em geral. 

O professor iniciou sua fala contextualizando que, atualmente, existem duas vacinas contra a dengue: uma delas é do laboratório japonês Takeda, a QDenga, disponível em redes privadas e no SUS, para adolescentes entre 12 e 14 anos, e outra produzida no Brasil, a Butantan-DV, produzida pelo Instituto Butantan e administrada em dose única. 

“Para que essas vacinas sejam comercializadas, elas passam por um longo período de aprovação e testes. Tanto os pré-clínicos, antes de serem efetivamente testadas em humanos, quanto os de fase clínica. Nesse processo, estamos falando de mais de 20 anos de desenvolvimento, dos quais pelo menos cinco foram dedicados à fase clínica, envolvendo mais de 11 mil pessoas, de faixas etárias distintas, em locais distintos no Brasil”, explica. 

Recentemente, a vacina, já administrada em mais de 500 mil pessoas após sua liberação, causou reações adversas em 42 pessoas, causando reações graves em três pessoas e levando ao óbito duas pessoas, uma mulher de 48 anos e um homem de 58. 

Ton Sales, também coordenador do Laboratório de Imunologia de Mucosas e Imunoinformática (Limim) e do Programa de Pós-Graduação em Medicina Tropical e Saúde Pública (PPGMPTSP), do IPTSP, ressaltou que as vacinas foram suspensas, não havendo determinações para recolhimento ou destruição dos lotes já existentes.

“Enquanto o Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária e, claro, o próprio Instituto Butantan não esclarecem se esses óbitos ou essas reações graves e adversas têm, efetivamente, relação direta com a vacina, sua segurança não está descartada”. 

A importância pela busca de fontes seguras foi ressaltada pelo docente, que explicou que o Ministério da Saúde teve uma postura muito transparente ao noticiar o fato, com o próprio ministro vindo a público, além da transparência dos dados e dos processos da vacina, sua faixa etária, efetividade e segurança. 

“É um exercício muito importante e cada vez mais necessário verificar se aquela notícia que estamos a um clique de compartilhar corresponde de fato com a realidade ou não”, afirma. 

Em relação às orientações para aqueles que tomaram a vacina, o professor explica: 

“A Butantan-DV é restrita aos profissionais da saúde, o que significa que ela não tem sido comercializada ou administrada pelo SUS em ampla escala. Então, não há motivos para se preocupar neste momento”. 

Entretanto, no caso de profissionais que receberam a vacina antes da suspensão, é necessário observar, por 21 dias, o surgimento de  quaisquer sinais associados ao agravamento, como dores abdominais fortes, febre alta, qualquer tipo de sangramento ou qualquer outra alteração completamente fora do normal. Nesse caso, é necessário procurar um médico imediatamente. 

“Essa suspensão, esse controle rigoroso da segurança das vacinas, só foi feito graças a um processo muito sério de farmacovigilância, feito pelo Ministério da Saúde”, aponta. 

A conversa foi encerrada com o destaque para o impacto da ciência na redução dos casos de dengue, que têm sido expressivamente menores no Brasil nos últimos dois anos. 

“Nós temos desde estratégias mais efetivas de controle do vetor até políticas públicas de saúde, para ajudar no manejo e na limpeza de ambientes domésticos e comerciais. Sem falar, é claro, de estratégias como a vacinação, que segue sendo uma forma muito importante de proteção e de prevenir a ocorrência de casos graves de dengue”. 

Não deixe de conferir a entrevista completa no canal oficial do Mundo UFG.

 

prof. ton

 

*Maria Eduarda Silva é bolsista de jornalismo no projeto IPTSP Comunica e é supervisionada pela jornalista Marina Sousa.

Fonte: Comissão de Comunicação do IPTSP

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