IPTSP NA MÍDIA - Professor André Kipnis, do IPTSP, discute segurança na ciência brasileira no programa Conexões da TV UFG
O professor é médico veterinário e compõe a Comissão Interna de Biossegurança da UFG
Texto: Maria Eduarda Silva
Arte: Mailson Diaz
No início do mês de abril o professor André Kipnis, doutor em Microbiologia e Imunologia e docente do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública (IPTSP), participou do programa Conexões, da TV UFG. A conversa foi voltada para a segurança na ciência brasileira, a partir do caso de furto de vírus que ocorreram na Universidade de Campinas (Unicamp), onde 24 tipos de vírus foram subtraídos de um laboratório de alta segurança. As amostras foram transportadas sem permissão do Instituto de Biologia em um trajeto de aproximadamente 350 metros.
O docente foi convidado para discutir possíveis vulnerabilidades no sistema científico brasileiro e o equilíbrio entre a liberdade acadêmica e o controle rigoroso de materiais biológicos perigosos. O professor explicou que organismos e microorganismos apresentam potencialidades de riscos diferentes, e existem legislações nacionais para trabalhar com microrganismos mais perigosos.
“Na área da saúde existem legislações, na área de microrganismos que são modificados geneticamente também existem legislações, mas muitas práticas ainda não possuem as devidas leis para controle, o que pode acarretar em muitos perigos para quem trabalha com microrganismos no dia a dia”, pontua.
Kipnis explica que por ter sido um laboratório de nível 3 onde se sucedeu o acidente, isto é, um ambiente de pesquisa e manipulação de microrganismos que apresentam alto risco biológico, existe um rigor técnico muito significativo no controle de amostras e na entrada de pessoas, contando com documentações e procedimentos a serem seguidos. 
“Exatamente por isso que foi possível identificar rapidamente que houve esse furto. Mas as regras e as formas de controle não são infalíveis. Porém, a grande questão é que o problema foi rapidamente identificado e logo começaram as investigações”.
As amostras foram retiradas do laboratório da Unicamp e levadas para outros locais, expondo um certo risco uma quantidade incerta de pessoas pelos locais em que transitaram. O docente ressalta que, por se tratar de amostras que estavam em laboratório de nível três, são amostras biológicas que podem causar grandes problemas na saúde das pessoas, apesar de existirem tratamentos e maneiras de controlar as infecções.
“O pior dos cenários seria em um outro nível que ainda não existe no Brasil, que são agentes de nível quatro”, explica.
O pesquisador finalizou sua participação comentando que os laboratórios até então existentes da Universidade Federal de Goiás (UFG) são de níveis um e dois. O primeiro Laboratório Multiusuário com Ambiente Controlado de Nível de Biossegurança NB3 da UFG, e também do estado de Goiás, será inaugurado em breve no Centro Multiusuário de Pesquisa de Bioinsumos e Tecnologias em Saúde (CMBiotecs), no IPTSP.
“Acredito que, com todo esse acontecimento, passa a se ter uma necessidade de reforço de legislações e fiscalizações de laboratórios que manipulam agentes perigosos”.
Não deixe de acompanhar a entrevista completa no canal oficial da TV UFG no YouTube!
*Maria Eduarda Silva é bolsista de jornalismo no projeto IPTSP Comunica e é supervisionada pela jornalista Marina Sousa.
Fonte: Comissão de Comunicação do IPTSP
Categorias: Notícias