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IPTSP NA MÍDIA - Iniciativa para promover equidade na maternagem é destaque no programa Mundo UFG

Em 16/03/26 15:37. Atualizada em 16/03/26 15:38.

A iniciativa, vinculada ao PET Saúde, busca conhecer a realidade de pessoas que maternam dentro da universidade e no mercado de trabalho 

Texto: Maria Eduarda Silva 

O programa Mundo UFG, da TV UFG, recebeu as professoras Thaís Rocha Assis, atual vice-coordenadora do Instituto de Patologia Tropical de Goiás (IPTSP), e Mércia Pandolfo Provin, da Faculdade de Farmácia (FF), da Universidade Federal de Goiás (UFG), para uma conversa sobre pesquisas desenvolvidas no âmbito da maternagem. 

O projeto está vinculado ao Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde), uma iniciativa do Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da Educação, voltada para a qualificação de profissionais da saúde e aprimoramento do SUS através da educação permanente. 

A professora Thaís Rocha, também tutora-coordenadora no projeto PET-Saúde Equidade, conta que as pesquisas buscam abarcar a realidade de pessoas que maternam, sejam elas mulheres, homens, pessoas com útero e pessoas responsáveis pelo cuidado de crianças. Através da pesquisa e da extensão, o objetivo é conhecer a realidade dessas pessoas a partir da perspectiva de estudantes da UFG e das profissionais trabalhadoras da saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia. 

“Algo que já observamos, através dos estudos e da pesquisa empírica, é que a maternidade é um marcador de diferenças sociais. Pessoas que maternam possuem diferentes inserções no trabalho, a forma como as estudantes se envolvem com o estudo dentro da universidade é diferente”, pontua. 

Ao comentarem sobre os resultados prévios de pesquisas já finalizadas, relacionados principalmente à institucionalidade, isto é, o que é oferecido pelas instituições a fim de promover a equidade dessa população, a professora Thaís ressalta que, durante as pesquisas com os grupos focais, algumas dificuldades foram mais proeminentes.

“Uma das falas mais recorrentes durante os grupos focais era sobre o gerenciamento do tempo, para conciliar horários de cuidado, lazer, estudo e profissional. Muitas estudantes relataram que precisaram atrasar a conclusão do curso e pegar menos disciplinas, e muitas trabalhadoras perderam oportunidades de ascensão na carreira, tiveram que sair de cargos de gestão”, comenta. 

Outra queixa, unânime entre os grupos focais, foi a falta de apoio das instituições e a invisibilidade da maternidade. Muitas entrevistadas relataram, por exemplo, constrangimento, no trabalho e na universidade, por precisarem se ausentar em casos de emergência. 

“Nesses casos, é como se a maternidade não fosse legítima. É importante que, nas instituições, a maternidade seja legitimada, é uma questão de vida”, conclui. 

A interseccionalidade também foi um ponto levantado durante a conversa pela professora Mércia Pandolfo. 

“A maternidade já possui muitas barreiras e dificuldades, e acaba sendo assumido, majoritariamente, pelas mulheres. Mas, além da questão do gênero, a maternidade também é diferente quando falamos sobre diferenças de classe social, de cor”, explica. 

A professora também relembrou que a política recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de amamentação contiuada até os dois anos de idade ou mais. 

“O que o Estado, as políticas públicas e nós, enquanto sociedade, fazemos para que essa amamentação, esse direito da criança seja garantido? Na universidade, as estudantes precisam amamentar seus filhos e não há infraestrutura necessária para receber essa criança”. 

Por fim, a professora também comentou que, em muitas comunidades e outras formas de organização, o trabalho de cuidar da criança seria de toda a família e sociedade, mas, durante a história, tornou-se conveniente que as mulheres assumissem esse papel invisível e não remunerado, enquanto seus parceiros exercem trabalhos “produtivos” e remunerados. 

maternagem feed

Não deixe de conferir essa conversa extremamente pertinente sobre o cenário da maternidade aqui.

 

*Maria Eduarda Silva é bolsista de jornalismo no projeto IPTSP Comunica e é supervisionada pela jornalista Marina Sousa.

Fonte: Comissão de Comunicação IPTSP

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