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Palestras sobre saúde mental e educação inclusiva fomentam troca de ideias e debates durante Semana de Planejamento Pedagógico do IPTSP

Em 12/03/26 12:03. Atualizada em 12/03/26 12:03.

Durante as palestras, docentes, chefias de departamento, coordenadores e direção puderam discutir os principais desafios e possibilidades de melhoria nestes temas 

Texto e fotos: Maria Eduarda Silva

A saúde mental é um tema que mobiliza cada vez mais a comunidade e a universidade, sendo um tópico cada vez mais discutido, especialmente após a pandemia. A professora Larissa Arbués Carneiro, do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), do IPTSP/UFG, trouxe, para a Semana de Planejamento Pedagógico, reflexões importantes a respeito do tema. Ao questionar aos docentes presentes qual seria o conceito de saúde mental, algumas respostas como “calma”, “controle da ansiedade”, “lidar com estresse” e “ter a liberdade de ser quem sou em contextos diferentes” foram proeminentes. 

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Professora Larissa Arbués Carneiro, do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), do IPTSP.

 

Nesse sentido, ao pensar a saúde mental a partir da perspectiva da saúde coletiva, é possível vê-la como um olhar de integração entre corpo, mente e a forma como nos expressamos no mundo. 

Na universidade, a qualidade da saúde mental de professores e estudantes é preocupante: são as duas categorias que mais sofrem, com mais de 50% dos estudantes relatando sintomas depressivos e ideação suicida. Essa realidade contribui significativamente para pedidos de afastamento, trancamento de matrículas e atestados médicos por questões de saúde mental, especialmente na pós-graduação. 

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A professora Larissa Arbués ressalta que esse cenário é, muitas vezes, intensificado pelo modelo de produção em que vivemos no meio acadêmico:

“Nós estamos sob um modelo produtivista, que a gente precisa atender. Quanto mais você faz, melhor você é visto, melhor a sua unidade acadêmica reconhece seus índices. Então, neste modelo, é importante tomar cuidados com as nossas escolhas”, pontua.  

Nesse modelo, que exige alta performance acadêmica, os estudantes podem ser intensamente impactados por demandas de desempenho, mas os docentes também relatam, entre outros desafios, a solidão e a sobrecarga de lidar com suas próprias questões de saúde mental e a dos estudantes. Nesse caso, alguns fatores protetivos, que contribuem para o bem-estar mental, foram ressaltados: 

  • Boa rotina de sono: essencial para a faxina mental e limpeza metabólica.
  • Atividades físicas: pelo menos 40 minutos por dia ou 150 minutos por semana.
  • Nutrição: alimentação saudável, evitando processados. 
  • Rede de apoio: ter uma boa rede pessoal e social de apoio. 

Ao final da palestra, a docente também comentou a respeito do papel do professor, que inclui, principalmente, promover um ambiente seguro, com contratos com a turma (regras, comunicação clara, flexibilidade), oferecer uma escuta acolhedora e, quando necessário, reportar à coordenação em casos de encaminhamentos mais especializados. 

Além disso, o autocuidado dos próprios docentes também é essencial, principalmente para contribuir com o avanço na inclusão e no manejo de demandas de saúde mental na universidade. 

Desafios e perspectivas na educação inclusiva

Na manhã de quarta-feira, o professor Michell Pedruzzi Mendes Araújo, da Faculdade de Educação (FE) da UFG, onde integra a Comissão de Inclusão, trouxe uma palestra a respeito de práticas pedagógicas para a inclusão de estudantes com indicativo para a educação especial. 

Durante a apresentação, o professor apontou que a FE já possui uma comissão de inclusão, vinculada à Secretaria de Inclusão (SIN), que auxilia professores e estudantes com necessidades específicas. Entre as especificidades mais comuns, estão estudantes com altas habilidades, deficiência intelectual (DI) e outras especificações que podem resultar em perda de prazos, dificuldade de aprendizado e necessidades de adaptação em rotinas de sala. 

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Professor Michell PedruzziMichell Pedruzzi Mendes Araújo, membro da Comissão de Inclusão da FE. 

 

Nesse sentido, Michell Pedruzzi destacou algumas adaptações que podem ser realizadas em sala, como as próprias formas de avaliação: 

“Esses estudantes têm direito, dentro da lei, à adaptação curricular. Eles têm direito à avaliação adaptada. E isso não quer dizer, necessariamente, que o docente deva fazer uma nova avaliação escrita. Pode ser uma avaliação oral ou uma mediação durante a avaliação. Ou seja, eles têm o direito, se solicitarem, a fazer a prova nova sala sozinhos, separados, com um monitor, por exemplo”, explica. 

Além das adaptações curriculares, alguns recursos também podem ser utilizados para a inclusão de estudantes com baixa visão, por exemplo, com textos ampliados, slides com fundos claros, letras grandes e audiodescrição. 

O professor também ressalta a importância  da comunicação e informação entre estudantes, docentes, coordenação e a Comissão de Inclusão, uma vez que adaptações e recursos necessários devem ser comunicados e exigidos logo no início do semestre. 

“Na Comissão de Inclusão, nós sempre atendemos professores e estudantes, e um dos pontos principais é conversar com os professores logo no início do semestre. Os docentes precisam saber que, naquele semestre, terão um aluno com certas especificidades”, comenta. 

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Outros direitos reservados a estudantes com especificidades, estão o Atendimento Educacional Especializado (AEE) com profissionais capacitados, muitas vezes monitores, e a possibilidade de cursar menos disciplinas por semestre. 

Frente a essa realidade, o papel do docente é o de se colocar à disposição logo no início do semestre, para que se sintam seguros em procurar ajuda e comunicar necessidades. Essas informações devem ser sempre sigilosas e tratadas com cuidado, não sendo expostas sem autorização da família e do aluno. 

Além disso, as práticas pedagógicas são essenciais para incluir estes estudantes. 

“É muito importante conhecer qual é o público, saber quais são os seus direitos. Na inclusão, trabalhamos muito com o conhecer, o planejar e o incluir”.

Apesar dos desafios que acompanham a educação inclusiva, como a falta de conhecimento sobre as legislações existentes sobre o assunto, barreiras estruturais, sociais e burocráticas e falta de formação continuada para os professores, é possível pensar a educação inclusiva a partir da ação conjunta entre docentes, Comissão de Inclusão e estudantes. 

A palestra enfatizou que a educação inclusiva é, sobretudo, sobre oferecer condições e adaptações necessárias para que os estudantes possam se desenvolver e aprender respeitando seu próprio tempo e, também, seu potencial. 

 

*Maria Eduarda Silva é bolsista de jornalismo no projeto IPTSP Comunica e é supervisionada pela jornalista Marina Sousa.

Fonte: Comissão de Comunicação do IPTSP

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