Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência
E mais um dia foi salvo pelas Meninas Superpoderosas da Ciência!
Texto: Maria Eduarda Silva
Arte: Mailson Diaz
No dia 11 de fevereiro, comemoramos o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. A data foi definida em 2015 durante uma Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), a fim de conscientizar a sociedade de que a ciência e a igualdade de gênero devem caminhar juntas.
Mas nem sempre foi assim.
Durante a década de 1950, Chien-Shiung Wu, considerada a “Primeira Dama da Física”, contribuiu de forma brilhante para a física de partículas. Em 1956, o Experimento de Wu, demonstrou de forma inequívoca que a natureza distingue “esquerda” e “direita” no nível subatômico, contestando um dogma considerado inabalável desde Newton. Wu concebeu e executou um experimento para testar a “lei da paridade” em interações nucleares fracas, mesmo que a teoria científica predominante até então descartasse essa possibilidade.
O estudo ousado de Wu foi repetidamente negligenciado, tanto pelo preconceito étnico em um contexto pós-guerra, quanto pelo preconceito de gênero. Quem ganhou o Prêmio Nobel de Física pela teoria da não conservação da paridade foram seus colegas Tsung-Dao Lee e Chen Ning Yang, e seu nome sequer foi citado durante a premiação.
Katherine Johnson, Mary Jackson e Dorothy Vaughan também contribuíram de forma exímia para a ciência espacial, apesar da segregação racial e de gênero. As três foram responsáveis por cálculos sem os quais a corrida espacial dos Estados Unidos teria fracassado. O trio integrava a equipe responsável por calcular manualmente as equações essenciais para viabilizar as viagens espaciais do país durante as décadas de 1950 e 1960. As matemáticas tornaram possível a ida de John Glenn ao espaço e a viagem pela órbita ao redor da Terra, em 1962.
Mesmo assim, as cientistas trabalharam durante décadas fisicamente afastadas dos colegas brancos, utilizando instalações sanitárias segregadas e recebendo salários inferiores para funções idênticas. Enquanto seus colegas, homens e brancos, levavam o reconhecimento público pelos lançamentos espaciais, seus nomes permaneciam restritos a relatórios internos, ou simplesmente omitidos.
Katherine integrou a equipe de Apollo 11, a primeira a chegar na lua; Dorothy foi a primeira pessoa negra a ter um cargo de supervisão na NASA; e Mary foi a primeira engenheira negra da NASA.
No Brasil, Jaqueline Goe de Jesus, professora da Universidade de São Paulo, também se destaca. Em março de 2020, a cientista coordenou a equipe que mapeou os primeiros genomas do novo coronavírus (SARS-CoV-2) no Brasil, em apenas 48 horas após a confirmação do primeiro caso de Covid-19 no país. A média global para o mesmo mapeamento foi de 15 dias.
Em entrevista, a pesquisadora destacou:
“Quero abrir caminhos para outras meninas e mulheres, em especial aquelas que fazem parte de minorias raciais dentro do ambiente acadêmico. Espero ser um trampolim para que essas mulheres também se tornem grandes cientistas!”.
Viu? Apesar da construção social de que a ciência é predominantemente protagonizada por homens, mulheres de todo o mundo contribuem historicamente para o avanço científico, mesmo que muitas vezes não recebam o mesmo reconhecimento. É por isso que celebramos essa data, em nome de todas as mulheres e meninas da ciência que fazem a diferença.
Para tornar essa data ainda mais especial, o IPTSP está disponibilizando um avatar exclusivo e uma personalização para você baixar e utilizar em suas redes sociais. Use e contribua para a conscientização sobre a importância do papel das mulheres e meninas na ciência!

*Maria Eduarda Silva é bolsista de jornalismo no projeto IPTSP Comunica e é supervisionada pela jornalista Marina Sousa.
Fonte: Comissão de Comunicação IPTSP
Categorias: Notícias