IPTSP NA MÍDIA - Pesquisa desenvolvida por mestranda do IPTSP avalia cenário em comunidade quilombola goiana
A pesquisadora Rayza Monnyelly de Souza Pereira, do Programa de Pós Graduação em Saúde Coletiva, falou sobre sua pesquisa no programa Mundo UFG, na TV UFG
Texto: Maria Eduarda Silva
Rayza Monnyelly de Souza Pereira é mestranda do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC), do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública, da Universidade Federal de Goiás (IPTSP/UFG). Em sua dissertação, a pesquisadora avaliou as barreiras e possibilidades de acesso à política pública de assistência social vivenciadas por mulheres negras de uma comunidade quilombola no estado de Goiás.
Na primeira semana de janeiro de 2026, a discente participou do programa Mundo UFG, em que contou um pouco mais sobre o desenvolvimento da pesquisa.
Ao falar sobre como a pesquisa surgiu, Rayza conta que, desde sua formação em Serviço Social, já tinha interesse em seguir na área acadêmica. Ao ingressar na pós-graduação em Saúde Coletiva, a pesquisadora teve a oportunidade de retornar à sua comunidade quilombola Ana Laura, em Piracanjuba, Goiás.
“A Saúde Coletiva me abriu essa porta de me aproximar novamente da comunidade, da qual eu já estava fora há 10 anos. Eu saí da comunidade para estudar, em Goiânia, e pude voltar para fazer a pesquisa com a minha própria comunidade”, conta.
De acordo com Rayza, comunidades urbanizadas, como a de Piracanjuba, passam por processos diferentes de colonização, como a perda de práticas e relações mais íntimas com a terra. Portanto, apesar dos benefícios provenientes da urbanização, como tornar o local mais acessível, este processo também acarreta em dificuldades e perda de conexão com a natureza, entre outras práticas.
A pesquisa foi realizada a partir de entrevistas coletivas, com um grupo focal, utilizando a metodologia de pesquisa-ação, isto é, uma investigação colaborativa, em que as mulheres entrevistadas participam propondo e gerando ideias.
“Tivemos cinco reuniões com mulheres adultas da Associação, mulheres de 18 a 70 anos. Cada grupo tinha cerca de 15 a 20 mulheres, e cada dia havia um tema. Então, elas contaram sobre a infância, como o racismo atravessa a infância, contaram como é ser mulher e negra em uma sociedade embranquecida, numa comunidade cercada por uma cidade muito conservadora, e sobre a dificuldade de acesso a serviços, mesmo que estes sejam direitos garantidos”, comenta.
A partir das questões levantadas nas reuniões, Rayza conta que foi elaborado um documento, que foi apresentado à gestão municipal durante a última reunião. Com o apoio da prefeitura, câmara de vereadores e da própria Associação Ana Laura, foi realizado um evento de promoção à saúde, em dezembro de 2025. O evento contou com educação em saúde e a presença de médicos infectologistas da UFG e pediatras. Além disso, o evento teve parceria com o Centro de Referência em Oftalmologia (CEROF), da UFG, que ofertou exames oftalmológicos à população da cidade.
Para Rayza, este já é um reflexo do atendimento às demandas levantadas pelas entrevistadas durante as reuniões, apesar do evento ser realizado em um único dia não ser suficiente, sendo necessárias ações contínuas para a assistência da população.
A discente teve a oportunidade de participar de uma conferência realizada na Universidade de Sherbrooke, no Canadá, durante o evento Recherche Avec. A apresentação do estudo, vinculado ao Núcleo de Estudos e Pesquisas em Agroecologia e Saúde (NEPEAS/IPTSP) e orientado pela professora do IPTSP, Fabiana Ribeiro Santana, trouxe a perspectiva de que, apesar das mulheres entrevistadas sofrerem com o racismo, com questões de gênero e classe, existe uma potência de força.
“Não são pessoas que apenas sofrem essas mazelas e ficam esperando que as coisas melhorem, que as coisas mudem. São pessoas ativas, que correm atrás, que têm potencial de mudança, que se organizam. O próprio movimento de aquilombamento é um movimento de resistência, e essas associações permanecerem ativas é uma resistência cultural muito grande”.

Não deixe de assistir à entrevista completa no canal oficial do YouTube Mundo UFG.
*Maria Eduarda Silva é bolsista de jornalismo no projeto IPTSP Comunica e é supervisionada pela jornalista Marina Sousa.
Source: Comissão de Comunicação do IPTSP
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