Com humor e didática, professor da UFG ajuda a manter o Lattes em dia

Com humor e didática, professor da UFG ajuda a manter o Lattes em dia

Em 12/01/26 15:20. Atualizada em 12/01/26 15:20.

Iniciativa busca orientar desde calouros até pós-graduandos sobre a importância do registro acadêmico

Texto: Gustavo de Souza - JORNAL UFG

No cenário acadêmico e científico brasileiro, o Currículo Lattes é muito mais do que um simples registro profissional: é a identidade do pesquisador. Criada em 1999 pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia, a plataforma surgiu como uma inovação para unificar e padronizar os currículos de pesquisadores, professores e estudantes de todo o país.

Hoje, o sistema integra bases de dados de grupos de pesquisa e instituições, o que faz dele uma ferramenta estratégica para a gestão de fomento, análise de mérito em editais e formulação de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento científico e tecnológico.

Apesar de sua importância, o Lattes ainda é visto com estranhamento ou negligenciado por muitos que ingressam no ensino superior. Para o professor Thiago Rocha, do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública da Universidade Federal de Goiás (Iptsp/UFG), essa barreira ocorre pela falta de oportunidades de formação prática dentro das grades curriculares.

Thiago, que concilia a carreira de professor e pesquisador com um perfil de divulgação científica no Instagram, onde tem mais de 50 mil seguidores, ressalta que o currículo é um desafio constante, desde calouros até pós-graduandos.

Ele observa que muitos estudantes hesitam em criar seu currículo por acreditarem que não possuem conteúdo suficiente, ignorando que a plataforma registra o amadurecimento acadêmico desde os primeiros passos. Com a linguagem das redes, o professor oferece orientações práticas sobre como utilizar a Plataforma Lattes de maneira simples e descontraída.

Primeiros registros

Thiago Rocha
Professor da UFG, Thiago Rocha dá dicas de como preencher o Lattes  | Imagem: Reprodução



A importância de iniciar o registro logo nos primeiros períodos da graduação se mostra na competitividade por bolsas e projetos. Ainda no primeiro período dos cursos em que leciona, o professor do Iptsp combate a ideia de que o estudante "não tem nada para colocar" no sistema.

Atividades como monitorias, estágios, bolsas de iniciação científica e a participação em eventos — seja como ouvinte ou apresentador de trabalhos — são fundamentais para compor o histórico do aluno. Segundo Thiago, postergar esse processo é perder a chance de estar preparado para seleções futuras. "É necessário ver o currículo como uma porta que se abre para diferentes possibilidades", afirma.

Além do aspecto individual, a plataforma cumpre uma função social e gerencial coletiva. O Diretório de Instituições e o Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil permitem que a sociedade e o governo compreendam onde e como a ciência está sendo produzida, mapeando as especialidades do conhecimento e os padrões de interação com o setor produtivo.

Recentemente, a plataforma passou por atualizações que reforçam sua modernização e inclusão, como a possibilidade de registrar pessoas com deficiência na identificação e a integração com identificadores internacionais, como o Orcid (Open Researcher and Contributor ID) e a Scopus.

Outra frente inovadora é o LattesData, um repositório de acesso aberto que visa diminuir custos de pesquisa e aumentar a transparência e a reprodutibilidade dos resultados científicos no país.

Não deixe nada para depois

O preenchimento do Lattes gera dúvidas frequentes, que vão desde a escolha da foto de perfil e a escrita de um resumo estratégico até o registro correto de certificados acumulados.

O professor Thiago Rocha enfatiza que a organização é o segredo para manter o currículo em dia: não deixar as atividades acumularem e guardar todos os diplomas digitais ou físicos de forma imediata evita omissões graves.

Em seu perfil no Instagram, o professor utiliza o lúdico para responder a esses questionamentos, humanizando a figura do orientador e criando laços com estudantes que, muitas vezes, sentem-se intimidados pelo rigor acadêmico.

Essa estratégia de comunicação descontraída, que inclui vídeos de humor e dicas diretas, tem se mostrado eficiente para promover o engajamento e a divulgação científica. De acordo com o professor da UFG, humanizar o processo de ensino-aprendizagem facilita a absorção de conteúdos complexos e melhora a saúde emocional dos estudantes durante a pós-graduação.

"Percebi que o humor é uma excelente estratégia para conectar as pessoas, promover o bem-estar emocional e social, bem como abordar questões complexas de modo simplificado e atrativo", conclui o pesquisador.

Box Lattes

 

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